quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pecado para a morte.

"Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus lhe dará vida. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este."
(1 João 5:16 NVI)

Durante a história da Igreja, muito se questionou sobre essa afirmação e distinção feita por João. Quais pecados são para a morte e quais não são? O que diferencia? O que conta? Decidi escrever este texto para responder a esse questionamento de modo simples e contextual, pois a resposta para o tal se encontra na própria epístola de João. Sugiro que você esteja com essa epístola aberta enquanto lê este meu texto, pois vamos dar uma "passeada" por ela. Ah, utilizarei a tradução da NVI, por ser a melhor principalmente para essa carta de João.

Como está no meu perfil deste blog, sou membro da CCB (ainda). E cresci ouvindo que o pecado para morte citado por João é o conjunto de pecados sexuais, como adultério, fornicação (sexo entre namorados ou ficantes), prostituição e relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. O cristão que cometesse algum desses pecados perderia a salvação. Perderia a "graça". Com o tempo logo percebi que havia algo de errado com essa crença. E é por isso que esse tema me atrai e decidi escrever este texto.

Começarei a explicação partindo do princípio da carta. Lembre-se: a epístola de João tem 5 capítulos. João apenas cita no final do último capítulo sobre os pecados para a morte. Logo, percebe-se que o que ele está fazendo é uma conclusão de tudo aquilo que ele falou na carta. João não começou a introduzir algo novo que deixaria seus leitores se questionando; antes, concluiu todo o seu ensino diferenciando pecado para a morte e pecado que não é para a morte. Entendido isso, comecemos do capítulo 1.

O capítulo 1 começa com o regozijo de João ao narrar sobre a encarnação do Verbo (1 João 1:1-5). João inicia sua carta falando da felicidade em termos conhecido a Jesus. Depois disso, afirma que "Deus é luz e nele não há trevas nenhuma". Agora começa o foco de João:

                              Luz x Trevas
"Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma.
Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."
(/1 João 1:5-7 NVI)

A primeira diferenciação do apóstolo concerne no "andar". Veja, Deus é luz. Sendo Deus luz, aqueles que são de Deus "andam" na luz, isto é, suas vidas são caracterizadas por serem trilhadas na luz. A vida sendo vivida, a forma como é trilhada - os filhos de Deus vivem na luz. Andam na luz. Obviamente não quer dizer que não tenhamos pecados, mas, que a nossa vida como filhos de Deus é diferente da vida dos que andam em trevas. Pelo observar vê-se a diferença.
João, como eu disse, pretendeu dizer que vivemos na luz e não nas trevas, mas logo em seguida afirmou que todos temos pecados e precisamos confessá-los. Ou seja, o andar na luz não significa que não tenhamos pecado. Por isso diz:

"Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.
 Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós." (1 João 1:8-10 NVI)

Ou seja, o que podemos concluir do capítulo 1 da carta de João: há dois tipos de pessoas no mundo. Os filhos de Deus,que andam na luz, embora tenham pecados e devem confessá-los e deixá-los; e os filhos das trevas, que andam em trevas, ou seja, a vida deles é marcada/caracterizada pelo pecado. São pessoas "dadas" ao pecado, diferentemente dos que andam na luz.
Entendido o capítulo 1, passemos para o capítulo 2. E desde já adianto que um dos propósito de João nesta epístola é falar dessas duas classes de pessoas que existem na terra. Segue a próxima diferenciação.

                      Andar como Jesus x Não andar como Jesus
"Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele:
aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou."
(1 João 2:5,6 NVI)

João agora nos diz respeito ao estilo de vida comparado ao de Jesus. Assim, quem é de Deus - quem é verdadeiramente cristão - anda como Jesus andou. O estilo de vida dele é predominantemente o de Jesus. As pessoas o olham e o veem como ele tenta ser como o seu Mestre. Novamente, não quer dizer que os verdadeiros cristãos não pequem, mas que, via de regra, em termos gerais, consiste na imitação de Jesus. Também é verdade que aquele que afirma ser cristão, mas não anda como Jesus, o tal não está na luz, é um falso cristão. Entendido isso, segue a próxima diferenciação:

                        Amor x Ódio
"Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas.
Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço.
Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram."
(1 João 2:9-11 NVI)
Outra diferença entre os que são de Deus e os que não são consiste numa vida de amor. Quem é de Deus é caracterizado por se doar pelo próximo, por repartir, por corrigir segundo Deus - enfim, quem é de Deus ama. Óbvio que não ama perfeitamente. Mas sua vida é caracterizada por amar. Quem não é de Deus, analogamente, não ama. É mesquinho. Sua vida é caracterizada pela falta de amor ao próximo. É egoísta. É amante de si mesmo.

Passemos para o capítulo 3 e a próxima diferença.

                      Não praticar o pecado x Praticar o pecado.
"Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei.
Vocês sabem que ele se manifestou para tirar os nossos pecados, e nele não há pecado.
Todo aquele que nele permanece não está no pecado. Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu."
(1 João 3:4-6 NVI)

Seguindo seu raciocínio, João agora remonta ao que disse no capítulo 1 (luz x trevas), mas com outras palavras. Em suma, "praticar" algo não é simplesmente fazer, mas viver naquilo. Tanto é que a palavra "prática" é justamente isso: algo que se tornou padrão - algo que é realizado continuamente. Em outras palavras, o que João está dizendo é: todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado (não é padrão em sua vida). Apesar de todos termos pecados, aqui ele trata de prática. Quem tem o pecado por prática é quem vive nas trevas. Os tais não conhecem a Deus. Não andam na luz. São escravos do pecado. Suas vidas são caracterizadas pela prática do pecado. Portanto, eles "estão no pecado". Quem é nascido de Deus não está no pecado.

                       Amor x Ódio  (novamente)
"Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.
Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo."
(1 João 3:14,15 NVI)

Novamente João fala sobre quem ama e quem odeia, mas de forma mais profunda. Segundo ele, nós podemos ter certeza que passamos da morte para a vida, isto é, que somos cristãos de verdade, se em nossas vidas há amor verdadeiro e praticado. Se alguém se diz cristão, mas não ama, não passa de um homicida, ainda permanece na morte, não pertence a Deus.


Depois de passar por esses 3 capítulos da epístola, duas coisas ficaram claras:

- João trabalha com antítese em toda a sua carta. Um dos seus principais propósitos em toda a carta é diferenciar os filhos de Deus daqueles que não são filhos de Deus. Do verdadeiro cristão dos falsos cristãos;
- João deixa claro os atributos que regem a vida daqueles que são de Deus, de modo que podemos reconhecê-los;

 Entendido isso, vamos para o final da carta e para o inicio deste texto:

"Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não leva à morte, ore, e Deus lhe dará vida. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou dizendo que se deva orar por este."
(1 João 5:16 NVI)

Analisando toda a carta, e agora essa conclusão de João, você pode dizer do que se trata os pecados para a morte?

Primeiro que ênfase de João é a oração por aqueles que não pecam para a morte. Por quê? Porque eles andam na luz, como na luz Deus está (capítulo 1). Logo, se o meu irmão, que anda na luz, cai em algum pecado, seja ele qual for, eu posso orar por ele e Deus o perdoará. Esse é um exemplo prático do sacerdócio cristão. Deus dará vida quando orarmos pelos nossos irmãos que andam na luz. Eles serão perdoados. Mas...

Voltando a tudo que foi escrito por João, se alguém se diz cristão, mas não anda na luz, não ama o próximo, o pecado é sua prática - ou seja, ele diz ser cristão, mas sua vida é caracterizada por tudo aquilo que não é de Deus, tal indivíduo permanece na morte. Está pecando para a morte. Ele não é de Deus. Não vai adiantar eu orar por ele, pois Deus não o perdoará. Ele precisa primeiro se converter de verdade.

Portanto, pecado para a morte é uma expressão que serve para caracterizar a vida daqueles que não são de Deus. Ele diz ser meu irmão, mas sua vida é vivida nas trevas, no ódio, na prática do pecado. Eu conheci gente assim na Igreja, que inclusive até hoje está lá nas fileiras. Pessoas que professam Jesus, mas suas vidas são incompatíveis com o Evangelho. 

Esse entendimento é tão certeiro que João finaliza de vez repetindo no próximo versículo o que disse antes na sua carta:

"Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge."
(1 João 5:18 NVI)

E aqui vai algo para os membros da CCB: como vocês puderam ver, quem peca pra morte é quem vive nas trevas, no ódio, no pecado. Não é aquele cristão sincero que tenha caído em pecado sexual. Aliás, em todos os 5 capítulos da carta, João sequer cita pecado sexual. Ele trata o "estilo de vida" daqueles que são verdadeiros cristãos e daqueles que não são, citando como exemplos o viver na luz e nas trevas, o amor e o ódio, o imitar a Jesus e o não imitá-Lo, o praticar o pecado e o não praticar.

Espero que os caros leitores tenham compreendido esse texto. Ao ler toda a carta de João, entendemos com clareza o que ele quis dizer na sua conclusão sobre os que pecam para a morte e os que não pecam para a morte.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.


domingo, 25 de setembro de 2016

O quarto que acumula desordem e sua necessidade constante de mudança.

Eu tenho um quarto pequeno que é somente meu. Há alguns anos durmo nele. Dentro dele tem minha cama, um criado-mudo, mochilas, livros, cadernos e uma pequena mesa, onde coloco meu notebook, impressora e alguns objetos. É um quarto relativamente pequeno e simples.

Á medida que a semana passa, entretanto, vejo que meu pequeno quarto vira uma bagunça. Eu trabalho o dia inteiro e em seguida vou pra faculdade. Quando chego em casa, já cansado, vou para o meu quarto somente para dormir. Coloco algumas coisas sobre a mesinha, ponho minha mochila no canto e vou repousar, normalmente sem me preocupar com organização. E dia após dia vou fazendo isso, até chegar no sábado, dia em que normalmente não trabalho nem vou pra faculdade.

Quando o sábado chega, olho para o meu quarto e vejo a bagunça. Às vezes me pergunto: como esse quarto ficou tão bagunçado assim? Então eu o arrumo. Coloco cada coisa em seu devido lugar, limpo a poeira, passo pano e o deixou limpo e organizado. Quando termino, dá uma sensação de alívio. Finalmente arrumei meu quarto.

Mas uma nova semana chega. Tenho que novamente trabalhar, ir pra faculdade, e novamente meu quarto aos poucos vai ficando sujo e bagunçado. Quando chega no sábado o processo se repete: arrumo-o novamente. Quando limpo meu quarto, muitas vezes o vejo menos sujo do que no sábado anterior. Mas há a necessidade de limpeza. Uma vez ou outra ele está mais sujo, e nesses casos há que se empenhar mais esforço para deixá-lo organizado e limpo.

Pois meu quarto tem me ensinado como funciona a nossa vida em relação aos nossos pecados. Quantas vezes deixamos a nossa casa (que somos nós mesmos) com sujeiras e desorganizações. Quantas vezes caímos em pecados que nos deixam bagunçados. Quantas vezes acumulamos pensamentos, desejos e práticas que não agradam a Deus. Quantas vezes não tiramos a sujeira, mas vamos acumulando-a. Quantas vezes não arrumamos o nosso quarto!

Mas precisamos organizar aquilo que se desorganizou; limpar aquilo que ficou sujo; colocar cada objeto em seu devido lugar. Precisamos, de tempos em tempos, fazer uma reflexão e análise sérias para ver se não estamos acumulando certas sujeiras que prejudiquem o quarto. E de preferência, que quando formos organizá-lo mais uma vez, haja menos bagunça do que antes.

É impossível que paremos de pecar. Está em nossa natureza caída. "Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e em nós não há verdade." (1 João 1:8). Contudo, é possível sim evitar o acúmulo. É possível evitar uma vida de pecado. É possível evitar uma rotina de pecado. É possível evitar uma vida escrava de pecado. Afinal, "Deus nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e piedade." (2 Pedro 1:3a)

Portanto, limpemos e organizemos rotineiramente a nós mesmos. E que a cada nova limpeza e organização, haja menos acúmulo de desordem.

"Aquele que encobre os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e deixa, alcança misericórdia." - Provérbios 28:13

Deus abençoe a todos!


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Crucificando novamente o Filho de Deus: a explicação de Hebreus 6:4-6

Olá a todos. Que a Graça e a Paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vocês. Hoje gostaria de explicar uma passagem bíblica à qual muitos dão uma interpretação equivocada, principalmente os membros da denominação a qual faço parte.

Meu foco ao explicar Hebreus 6:4-6 não é fazer uma defesa do calvinismo (embora eu seja calvinista), mas refutar uma crença de muitos de minha denominação: a de que o texto se refere a cristãos que tenham cometido algum pecado sexual.

Muitas pessoas que conheço costumam dizer que, se você é cristão e cair num pecado sexual, está crucificando o Filho de Deus e não há perdão pra você. Ou não deveria (embora não confessem assim). Ou esse perdão poderia ser obtido, mas com grande dificuldade.

Vamos lá. A passagem bíblica diz o seguinte:

"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério."
Hebreus 6:4-6 

Ao ler este texto, muitos que conheço - sim, muitos, não apenas um ou outro, dizem que o texto se refere aos que pecam sexualmente. "Eles crucificaram o Filho de Deus novamente. É impossível serem renovados para o arrependimento". Sim, com essas mesmas palavras. Ou seja, de tantos pecados que existem - mentira, cobiça, gula, fofoca, orgulho, ódio, embriaguez, ganância e outros - eu nunca os vi dizerem que uma pessoa que caia em algum desses pecados tenha crucificado novamente o Filho de Deus. Mas somente os que caem em imoralidade sexual.

Pois bem, vamos agora explicar o texto e desconstruir essa crença estranha. Primeiramente, a quem foi escrita essa carta? Sabemos que foi aos hebreus.
Quem eram esses hebreus? Eram judeus que se converteram (uma minoria em comparação ao tamanho do povo judeu).

Sabemos que nosso Senhor veio do povo judeu, que os primeiros discípulos vieram de lá e que o Evangelho começou a ser propagado lá, por eles. Sabemos também que a nação judaica rejeitou a Cristo. Entretanto, obviamente que nesta nação algumas pessoas creram. Essas pessoas formaram a "primeira" Igreja de Cristo. Depois que nosso Senhor ascendeu aos céus, a Igreja só existia de judeus/hebreus. Ao lermos o livro de Atos dos apóstolos, percebemos que a Igreja teve inicio ali. Portanto, essa epístola aos hebreus foi direcionada àquela igreja, que vivia na nação de Israel, que rejeitou a Cristo.

Vamos entender mais uma coisa. O povo de Israel (que eram os judeus/hebreus) rejeitou a Cristo. Entretanto, continuou com as práticas do Antigo Testamento: sacrifício de animais no Templo, sacerdócio levítico, festas judaicas, purificação etc. Todas aquelas coisas do Velho Testamento.

Você pode ver até aqui, portanto, que em Israel havia dois povos: os cristãos hebreus (uma minoria dentre o povo), e os judeus que rejeitaram a Cristo mas que continuavam com a religião do Antigo Testamento.

Pois bem, o que você pode imaginar que aconteceria? Os cristãos hebreus começaram a ser perseguidos pelo resto do povo, que era a maioria. Assim como podemos ver em Atos que a Igreja sofreu perseguição em Jerusalém, ela não parou. A Igreja de Cristo estava sendo duramente perseguida, e os judeus queriam que eles abandonassem a fé em Cristo e voltassem à religião do Antigo Testamento. E alguns cristãos por não suportarem a perseguição abandonaram a Cristo, rejeitaram Ele, e voltaram à religião antiga.

Se você entendeu o que expliquei acima, entenderá o seguinte: a carta aos hebreus foi escrita com um propósito: impedir que os cristãos hebreus abandonassem a Cristo e voltassem à antiga aliança, à antiga religião.Que voltassem ao Antigo Testamento, por assim dizer. O autor dessa epístola (que muitos dizem ter sido Paulo, mas não se sabe ao certo) utiliza argumentos mostrando a superioridade de Cristo em relação aos elementos e pessoas da antiga aliança.

O povo judeu tinha muita admiração por anjos. No capítulo 1 da epístola aos Hebreus é dito que Cristo é superior aos anjos. No capítulo 3 é dito que Cristo é superior a Moisés. No capítulo 4 é dito que Cristo é superior a Josué, e que o descanso oferecido por Cristo é maior que o descanso do Sábado. No capítulo 5 é dito que Cristo é superior aos sumo-sacerdotes. No capítulo 7 ele prossegue falando da superioridade de Cristo em relação aos sumo-sacerdotes. No capítulo 8 ele diz que a nova aliança é superior à primeira. Nos capítulos 9 e 10 ele diz que Cristo é superior a Lei e suas sombras.

Perceberam? O propósito da epístola aos hebreus é impedir que aqueles cristãos abandonassem a Cristo e voltassem à religião antiga, e pra isso o autor da carta vai explicando como Cristo é superior às pessoas e coisas do Antigo Testamento. O propósito, portanto, era evitar o pecado da apostasia, e não outros pecados, embora saibamos que eles devem ser evitados.

Vamos agora falar rapidamente sobre os sacrifícios. O povo judeu sacrificava animais pra propiciação de pecados. O próprio Deus instituiu isso no passado. Entretanto, esses sacrifícios eram apenas sombras do verdadeiro sacrifício que efetivamente tira os pecados e salva: o Sacrifício de Cristo.

Portanto, uma vez que Cristo veio e fez o sacrifício perfeito, voltar a praticar sacrifícios de animais seria abominação. Seria dizer que não cria no sacrifício de Cristo. E era isso que os judeus estavam fazendo. E foi isso que alguns cristãos hebreus passaram a fazer: eles negaram a Cristo, disseram que não criam mais Nele e voltaram a sacrificar animais. Isso é abominação. Isso é crucificar o Filho de Deus novamente. É impossível que essas pessoas sejam renovadas para o arrependimento. Essas pessoas não se arrependem. Elas rejeitam deliberadamente o Salvador. Uma coisa é você cometer imoralidade sexual, mentira, furto, cobiça etc. Você se arrepende, pede perdão a Deus e abandona o pecado. Outra coisa é você abandonar a Cristo e simplesmente dizer que Ele não é Salvador coisa alguma. Quem faz isso ficou com a mente cauterizada. Esse é o pecado advertido em Hebreus 6:4-6. Isso que significa crucificar novamente o Filho de Deus.

Em Hebreus 10:26-29 vemos algo parecido:

"Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,
Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários.
Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas.
De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?"
Hebreus 10:26-29
Pecar voluntariamente ali está se referindo ao pecado da apostasia. Ao abandono de Cristo. A voltar a oferecer e confiar em sacrifícios de animais. Por isso ali é dito que "já não resta mais sacrifício pelos pecados". Uma vez que você conhece a Verdade (Cristo é Salvador e Seu Sacrifício salva), e abandona isso, não há esperança pra você. Pois se alguém não crê mais em Cristo e o abandona, simplesmente não há como essa pessoa ser salva, pois o único sacrifício que pode salvar é o de Cristo. Uma vez que alguém rejeita isso, não resta mais sacrifício, mas uma condenação eterna por ter pisado o Filho de Deus e ter profanado o Seu Sangue.

Termino aqui meu texto. Procurei explicar detalhadamente os versículos envolvidos. Crucificar a Cristo de novo é rejeitar a Sua Pessoa e o Seu Sacrifício, voltando a sacrificar animais ou qualquer outra confiança de salvação que não seja no único sacrifício aceito por Deus, a saber, o de Cristo Jesus nosso Senhor. Não se refere ao pecado da mentira, do ódio, orgulho, nem se refere aos pecados sexuais. Aliás, Deus oferece perdão gratuitamente ao cristão que caírem em imoralidade sexual, exigindo que ele se arrependa e abandone essa prática. Em Apocalipse 2, a partir do versículo 18, Jesus manda uma mensagem pra Igreja de Tiatira. Havia ali cristãos que fornicaram com uma mulher, que o Senhor chama de Jezabel. Cristo diz que traria uma tribulação sobre eles, se não se arrependessem. Ele ordena-os aos arrependimento. A mesma coisa ocorreu com o fornicário de Corinto. Paulo o expulsou na primeira epístola pelo fato de que ele estava vivendo em fornicação sem arrependimento algum (1 Coríntios 5), porém, já na segunda epístola, pede para que a Igreja o receba de volta como irmão (2 Coríntios 2).

Não estou aqui dizendo para as pessoas fornicarem e adulterarem. Isso é pecado. E é grave. Mas Deus deixa claramente nas Escrituras que Ele perdoa liberalmente. Que na epístola aos hebreus, crucificar novamente o Filho de Deus é rejeitá-lo, não se referindo aos que cometem pecados sexuais. 

Um abraço a todos!


sábado, 2 de abril de 2016

Os "pecadinhos" que passam despercebidos.

Olá a todos. Faz mais de 6 meses que não publico nada em meu blog. Hoje queria escrever um texto baseado numa reflexão que fiz nas palavras de nosso Senhor.

Gostaria de começar com uma suposição. Imagine que Jesus estivesse fisicamente presente com você e outros irmãos. Imagine que Jesus esteja dando um sermão, e este é sobre o fim dos tempos. Imagine que depois de terminar esse sermão profético, Jesus agora alerte contra alguns pecados. Eu pergunto: Contra quais pecados Ele alertaria?

Muitos poderiam dizer: assassinato, imoralidade sexual, furto, idolatria... afinal, existe uma graduação de pecados que é feita de maneira errada. Muitos acabam fixando apenas em abster-se de alguns pecados e esquecem-se de outros. Embora, por exemplo, uma "simples" mentira e um homicídio tenham proporções e castigos diferentes, no entanto esses dois pecados se igualam numa coisa: ambos representam uma ofensa a Deus e os praticantes estão sujeitos à punição, mesmo que em proporção diferente, caso não se arrependam verdadeiramente.

Mas... sobre quais pecados Jesus alertou mesmo? Vamos para Lucas 21. Se vocês lerem o capítulo, verão que Cristo está falando da destruição do templo, de Jerusalém, dos terrores que as pessoas passariam, de desespero, destruição e ruína. Este sermão vai do versículo 5 ao versículo 33. E depois que nosso Senhor termina, adverte os seus discípulos com essas palavras:

"E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia."
(Lucas 21:34)

Perceberam? Cristo não alerta sobre imoralidade sexual, homicídio, furto, idolatria. Ele alerta sobre três pecados: glutonaria (gula), embriaguez e os cuidados exagerados desta vida.

Quem hoje em dia fala de glutonaria? Quem prega contra esse pecado? Eu confesso que em 20 anos na Igreja nunca vi algum pregador abordar esse pecado. Aliás, o que vejo muitas vezes são cristãos participando de rodízios de carne e pizza e fazendo apostas pra ver quem come mais. E normalmente o que come mais sai mal do local. Glutonaria é um pecado esquecido. A gula se tornou comum. Muita gente nem sabe que é pecado porque nunca ouviu falar, isso eu posso atestar. Muitas pessoas não sabem e muitas sabem mas negligenciam que a gula é tão grave como a bebedice.

O outro pecado é a embriaguez. É um pecado que, no geral, os cristãos sabem que é e no geral não fazem apostas para verem quem bebe mais. Inclusive muitos até vão ao extremo de considerarem um gole de álcool sendo pecado, sendo que o versículo fala contra a embriaguez. Entretanto, é "difícil" entender por que muitos pregam contra esse pecado porém esquecem da gula.

O terceiro pecado citado por Cristo é sobre os cuidados desta vida. Ora, é natural que procuremos trabalhar, crescer etc. No entanto, existe um risco nisso aí. Devemos saber ponderar bem para que não façamos deste mundo o nosso lar. Para que nosso tempo pra ler e meditar na Palavra, orar, visitar os enfermos e cuidar de nossa família existam. Para que os cuidados desta vida em trabalhos e estudos e outras coisas daqui da terra não façam que negligenciemos as atividades do Reino e a estar à espera da volta de nosso Redentor. Eu confesso ser difícil ouvir algum cristão ou ouvir alguma pregação que exorte sobre o cuidado exagerado das coisas desta vida.

Espero que este pequeno texto desperte os leitores a lembrarem-se dos "pecadinhos" que passam despercebidos e que acordem para uma vida de piedade e devoção mais firme e real.

Paz a todos vocês.




domingo, 6 de setembro de 2015

Casamento: por qual motivo há tanta dificuldade?

Olá, caros leitores. Faz bastante tempo que não posto um texto no blog. Mas não me esqueci dele. Hoje gostaria de falar sobre algo que não tenho experiência: casamento.

Sabemos que a cada dia que passa o número de divórcios aumenta. A cada dia que passa, mais e mais pessoas se separam. E isso não tem acontecido apenas entre pessoas não cristãs, mas entre os cristãos também. Afinal, por que tanto divórcio?

Pesquisas indicam que a "incompatibilidade" é a maior causa de separação. E hoje eu queria tecer alguns comentários sobre isso, embora eu seja novo (20 anos) e nunca tenha me casado. Apenas tive uma namorada há alguns anos. No entanto, creio que não seja um impedimento para falar sobre o assunto. Iniciarei com alguns conceitos que a Palavra de Deus nos dá e a vivência prática deles.

O ponto principal que gostaria de abordar é algo que chamamos de "Depravação Total". De acordo com a Palavra de Deus, todo ser humano é mau e depravado. O homem foi feito reto e justo, porém com o pecado, se corrompeu. Não estou dizendo o ser humano não faça o bem, apenas estou dizendo que ele faz o mal. Ele agora por natureza é egoísta, olha principalmente (e alguns somente) para si. Além disso, o pecado provocou uma devastação tão grande que o ser humano não consegue viver uma paz plena com o outro. Há sempre um litígio, uma contenda, uma facção. E isso pode ser aplicado ao matrimônio.

O problema principal do casamento, portanto, deve ser reconhecido através do auto conhecimento. Como nos enxergamos? Como realmente nos vemos? Quando cada um reconhece que é egoísta de fato, que não está disposto a abrir mão de algo que quer por causa do outro, poderá perceber o real problema do casamento.

Imagine a situação: duas pessoas se conhecem, se interessam uma pela outra e se casam. Cada uma delas é pecadora. Por natureza é egoísta. Por natureza pensa mais em si do que no outro. Defende mais a sua razão do que a do outro. Não abre mão do que quer e pensa em prol do outro. Essas duas pessoas colidirão. A natureza caída e pecaminosa de cada um impedirá a convivência em paz. O que essas pessoas farão? Separar-se-ão, pois para elas é a tarefa mais fácil. "Não dá, ele/ela não me compreende, e não abre mão dos seus desejos, não entende que gosto disso, daquilo...", dizem o casal. Eis o problema.

Mas... poucas pessoas conseguem enxergar o casamento como um instrumento do Senhor para matar o nosso egoísmo, a nossa auto-suficiência, a nossa falta de amor. Deus quer que joguemos fora toda podridão que procede nós. O matrimônio serve como um instrumento de santificação. Você é casado com uma pessoa, e abre mão do seu egoísmo. Prioriza a felicidade dela em prol da sua. Muda seus pensamentos muitas vezes por ela. Aprende a suportá-la, a suportar seus defeitos, as incompatibilidades. Acaba com sua razão para aceitar a dela. Esse é o ponto. Mas a maioria de nós não quer saber disso. Naturalmente, não queremos abrir mão do nosso desejo, do nosso ego, da nossa razão. Estamos certos e pronto. O outro que se dane. Não queremos ceder.

Deus quer matar em mim tudo que me faça me colocar no centro. Pra fazer com que eu cumpra o versículo: "Cada um considere os outros superiores a si mesmo" (Fp 2:3b). E o casamento é uma das peças fundamentais pra isso. Deus quer nos transformar, nos moldar, à medida em que vamos abrindo mão do nosso "eu" e vamos dando lugar ao cônjuge.

Como nível de esclarecimento, não estou dizendo que devemos negar tudo o que queremos, sempre ceder em prol do outro. Dessa forma, teríamos uma relação unilateral, na qual somente uma pessoa estaria "dando sangue". Mas estou dizendo que, na maioria das vezes, se as duas pessoas se colocarem uma no lugar da outra, e ambas aprenderem muitas vezes a negar-se para benefício do outro, com certeza surgiria um casamento saudável, equilibrado, no qual Deus será glorificado.

Espero que essa breve e pequena reflexão tenha sido edificante para vocês. Um abraço, que Deus nos abençoe.






terça-feira, 19 de maio de 2015

Irmãos nominais.

A frase "eu te amo", segundo a maioria das pessoas, ficou banalizada. Qualquer um a pronuncia de forma automática, sem amar de fato aquele a quem são dirigidas tais palavras. Eu concordo com a maioria. E fazendo uma comparação, noto que há uma palavra banal no meio da Igreja: "irmão".

Vamos entender. De acordo com o Dicionário Aurélio, um dos significados de "irmão" é "pessoa muito amiga de outra". Portanto, um irmão não é somente filho do mesmo pai e/ou mãe, mas uma pessoa que compactua de amizade. E o que a Palavra de Deus nos ensina sobre amizade/irmandade podemos sintetizar em um versículo:

"Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;"
(Romanos 12:15)

Amigo/irmão, portanto, é alguém que está presente em sua vida, tanto nos momentos difíceis (para chorar com você) quanto nos momentos alegres (para se alegrar com você). Agora quero que você reflita comigo: você faz parte de fato da vida dos irmãos na sua igreja? Você de fato chora e ri com eles? Você está por dentro da vida dele para exercer de fato sua função de irmão? Eles também fazem a mesma coisa com você?

Vivemos num século o qual é caracterizado pelo individualismo. Cada um na sua. E o que acontece na Igreja? A mesma coisa. Você vai ao culto, lá encontra outros cristãos, os chama de irmãos, louvam a Deus, depois cada um vai pra sua casa e pronto. Não há comunicação na semana. Não há participação na vida um do outro. Quando chega no domingo, a mesma coisa acontece. E no culto um chama o o outro de "irmão". Como assim?
Pra eu não dar uma de exagerado, admito que com 2 ou 3 daqueles que você chama de "irmão" você participa da vida e vice-versa. Agora, você faz isso, mas congrega numa igreja que tem mais de 100 cristãos. Algo está errado, não?

Eu faço esse texto e me considero o principal culpado. Minha vida é corrida, isso é fato, mas eu não me alegro com quem se alegra nem choro com quem chora. Não participo da vida do outro. Igual a você, de 2 ou 3 tenho vínculo de "irmão" mesmo. Só que estamos errados. Totalmente errados. Na prática, não temos passado de "irmãos nominais".

Eu não estou sendo utópico. É óbvio que se formos mais próximos uns dos outros, se participarmos mais da vida uns dos outros, há grande possibilidade de termos problemas com fofocas e problemas de brigas. No entanto, teremos de solucionar isso. A Igreja em Jerusalém vivia unida de fato. Houve sim dificuldades de convívio, como no caso das viúvas judias e gregas (Atos 6). Isso ocorre. Por isso Paulo já previamente conhecedor disso disse: 

"Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também."
(Colossenses 3:13)
Agora, algo mais grave ainda é quando líderes nas igrejas agem assim, quando eles deveriam conhecem a fundo a vida das ovelhas as quais pastoreia (ou teoricamente pastoreia). Muitos pensam que suas funções são somente presidir culto, ministrar Palavra, realizar batismos e a ceia do Senhor. Depois disso, não procuram saber como andam as ovelhas. Se a liderança agir assim, o que se pode esperar dos liderados?

O "uns aos outros" é muito importante. Cristo orou pela unidade da Igreja e também orou pela santificação dela (João 17). Houve a necessidade de orar pela santificação porque existe pecado no convívio entre irmãos, principalmente no que diz respeito à cólera, mágoa, dissenções e coisas do tipo.

Deixo para reflexão tanto minha quanto sua esse versículo:

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?"
(1 João 4:20)
Você pode até não odiar seu irmão, mas se você não chora nem se alegra com ele, você não o ama na prática. Poderá você dizer que ama a Deus, sendo que na prática não ama seu irmão?

"Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."
(1 João 3:18)

Paz a todos.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Deus nos quer por cabeça e não por cauda?

Quem lê as postagens que faço aqui no meu blog já deve ter percebido que eu costumo desmistificar vários jargões que vemos geralmente no meio pentecostal. Isso inclusive pelo fato de eu frequentar uma denominação assim, desde criança. E nesta publicação gostaria inclusive de comentar sobre uma frase que é bíblica, mas usada fora de contexto.

"Deus nos quer por cabeça e não por cauda", quem nunca ouviu tal frase? Domingo retrasado inclusive eu ouvi. E sempre que alguém a pronuncia, está se referindo a "vitórias" financeiras principalmente. E falam numa expectativa, num triunfalismo enorme. Entretanto, pretendo argumentar algumas coisas e explicar o motivo de ser mal usada.

Inicialmente, vamos entender a diferença entre a nação de Israel e a Igreja. O primeiro povo de Deus - os israelitas - era um país físico. Exclusivamente com aquele povo terreno Deus fez um pacto. E dentro dele havia as promessas de toda sorte de bênçãos terrenas, contudo, se fossem desobedientes, haveria maldições. Você pode ler Deuteronômio 28 pra ler sobre isso.

Uma observação importante a ser feita: o pacto de Deuteronômio 28 - de bênçãos e maldições - foi feito ao povo judeu e não para a Igreja.

Prosseguindo ao assunto, vejamos o versículo em questão:

"O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar a toda obra das suas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno para os guardar e cumprir."
(Deuteronômio 28:12-13)

Ou seja, se acompanharmos as páginas do Antigo Testamento, veremos que quando Israel obedecia a Deus, tinha vitória sobre os nações nas guerras, tinha prosperidade financeira e coisas do tipo, que faziam parte do pacto feito por Deus com eles.

Agora... e a Igreja? Deus promete que ela neste mundo estará por cabeça e não por cauda?

Não. O Senhor não promete isso. E eu tentarei ser simples e objetivo. As promessas contidas em Cristo na Nova Aliança não são de cunho terreno, como foi com os israelitas, mas de cunho espiritual. As bênçãos hoje do povo de Deus são espirituais e não materiais.

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo".
(Efésios 1:3)

Cristo nunca disse que estaríamos "por cima" na vida financeira, que derrotaríamos nossos inimigos, que seríamos os da "alta sociedade". Pelo contrário, Ele nos disse que seríamos perseguidos aqui:

"Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também perseguirão a vós outros."
(João 15:20a)

 Analisemos os 12 apóstolos. Eles foram "cabeça e não cauda" neste mundo? Pelo que nos narra a Escritura e a História, foram martirizados: uns na cruz, outros enforcados etc. E como eram a vida deles aqui na terra? Deixemos o apóstolo Paulo falar:

"Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa.
E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, mas bendizemos; somos perseguidos, e sofremos.
Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos."
(1 Coríntios 4:11-13)

Lendo a passagem acima, ainda é possível insistir que cristãos neste mundo serão "cabeça e não cauda"? Que cristão é melhor que o apóstolo Paulo?

Creio que não preciso ir mais além. O que foi visto aqui é suficiente. E só pra completar, eu não estou fazendo apologia à pobreza. Pois Deus, se quiser, pode dar boas condições de vida a alguns cristãos. Só que isso não é regra geral. E principalmente: esta não é a promessa do Evangelho.

Paz aos queridos leitores.

Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13
O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado.
E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Deuteronômio 28:12-13